terça-feira, 3 de abril de 2012

Sexta-feira da Paixão

Partida Evangélica



...Meu filho Jaguar, filho querido do meu coração. No descortinar da minha mediunidade, minha instrutora Mãe Yara, não me deixou cair no plano de muitos, e advertia a toda hora. Podia sofrer, mas Mãe Yara e Pai João não me deixavam sem aquelas reprimendas. Não tinha importância que eu sofresse, desde que a obra seguisse seu curso normal e eu fosse verdadeira. Em 1958, eu estava no auge de minhas alucinações, como diziam as demais pessoas que me conheciam. Quando eu trabalhava na Novacap, um dia me sentei num restaurante, porque me distanciara de casa. Estava conversando com três colegas e falávamos sobre a Novacap onde trabalhávamos. Entramos no maracangalha, um restaurante da Cidade Livre, trouxeram uma travessa com bifes, por sinal muitos, e era sexta feira da paixão. Eu tinha o princípio da Igreja Católica, não levei em consideração, e coloquei um bife no prato. Naquele instante (na vibração e na desarmonia em que eu vivia), ouvi uns estampidos, e era Mãe Yara. “Filha disse ela: continuas como era. Já estás tão desajustada que te esqueces dos princípios da Igreja Católica Apostólica Romana? Alerta-te, cuida dos teus sentimentos. O dia de hoje representa, em todos os planos, os mesmos sentimentos por Jesus crucificado. Em todos os planos deste Universo que nos é conhecido, sentimos respeito. Filha está na hora, devolves o teu bife para a travessa do restaurante”. Eu estava na companhia de três pessoas, como já disse e, vi que não comiam carne. Eles ainda não acreditavam em mim, entre a mediunidade e a loucura. “Coma amanhã” – continuou Mãe Yara – “não irás mais festejar as incompreensões, as fraquezas daquele pobre instrumento que foi Judas”... Naquele instante comecei a pensar, começaram a passar por minha cabeça as imagens de Judas, que vendeu Jesus por trinta dinheiros. No entanto Mãe Yara, alheia aos meus pensamentos, continuava a sua narração. Judas não foi um traidor, foi sim um supersticioso. Na sua incompreensão, acreditou ser Jesus um ser político. Judas tivera grandes oportunidades de conhecer Jesus, pois o acompanhava desde a sua chegada do Tibet. Nesse período como nos já esclarecera Mãe Yara anteriormente, Jesus passou dos 12 aos 30 anos nos Himalaias, para onde fora levado com a permissão de Maria e José seus pais. Lá Ele fora iniciar-se junto às Legiões em Deus Pai Todo Poderoso e formar o que hoje conhecemos por Sistema Crístico, nos mundos etéricos. De lá Ele voltaria para o início da sua tarefa doutrinária evangélica. Foi quando Jesus chamou aqueles humildes pescadores para serem pescadores de almas. E que viriam a ser em número de doze, estando Judas entre os escolhidos; junto a Jesus, Judas sofrera humilhações nas sinagogas, quando os Rabinos voltaram às costas para Ele... Em fim, quantas lições recebidas...Fenômenos testemunhados...Mas só os pobres e os miseráveis o conheciam analisava Judas em sua incompreensão, já cansado das perseguições daquela época, e pensando que ao forçar um confronto entre Jesus e os homens que o perseguiam, Jesus com um simples olhar colocaria por terra toda aquela gente. Pensava assim força-lo a usar os seus poderes e ser realmente o rei do mundo. Lembrou-se também de quando foram convidados por Jesus para o acompanharem e que o dia estava ruim para pescar, e o amado Mestre atirando a rede sobre as águas e a trazendo cheia de peixes. Em fim, Judas não acreditaria que o Grande Mestre passaria por todas aquelas humilhações. Porém, não foi assim: o que viu foi Jesus ser amarrado e a pontapés ser levado à presença de Pôncio Pilatos... Não foi remorso, foi um grande arrependimento, uma grande dor, de não haver compreendido a grande missão de Jesus que o levou, chorando, pensando, a enforcar-se. Formou-se um temporal, o céu escureceu como escureceu a sua alma. Porque vamos rir, festejar a sua grande desgraça?



Meu filho, entre os diversos conceitos da Igreja que nós respeitamos e, como se tornou uma tradição em todos ou quase todos os sacerdócios, digo: nós não comemos carne às quintas e sextas feiras da semana santa, nós respeitamos esses conceitos. Eles não nos atrapalham em nossa vida evangélica. E respeitamos as tradições da Igreja Católica que foi a base de todas as religiões. ...
 
Tia Neiva.
Vale do Amanhecer, 27 de Abril de 1983.

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